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No século VII, nos livros sagrados dos Zend-Avesta, o Cão d’Água Português era mencionado como o mais valioso dos cães, pois o grande deus, Ahura-Mazda, havia concedido qualidade de santo devido às suas excepcionais habilidades. Há inclusive uma lenda que conta que Zoroastro, um famoso profeta persa, do século VI antes de Cristo, punia a todos aqueles que molestassem um Cão d’Água.
Sabe-se que a família real e toda a corte portuguesa, quando fugiam da invasão napoleônica, embarcaram nas caravelas alguns exemplares da raça que chegaram ao Brasil. Porém, quando D. Miguel I retornou a Portugal para subir ao trono, ele levou consigo alguns exemplares. No Museu de Lisboa há uma pintura exposta que retrata o momento do desembarque na Praia de Belém com vários Cães d’Água em volta das naus, inclusive tosados. Naquela época, a navegação portuguesa era muito importante, e o Cão d’Água Português latia avisando e alertando perigos iminentes no meio da neblina. Por isso, esta raça acabou servindo de precursores dos atuais sistemas de apitos náuticos.
O Cão d’Água Português, apesar de muito difundido no passado, foi quase extinto nos anos 30, e, novamente nos anos 70, quando então havia apenas 25 exemplares em todo o mundo, devido ao desaparecimento da pesca artesanal. Porém, graças aos esforços de alguns criadores em Portugal e nos EUA, a raça foi trabalhada, e hoje em dia há associações e clubes para a sua proteção.
Esta raça de grande habilidade para mergulhar e nadar foi privilegiada pelos pescadores devido ao seu tamanho mediano e pela sua exímia inteligência e obediência ao executar com alegria tarefas para seu dono dentro ou fora d’água.
O Cão d’Água Português atira-se voluntariamente ao mar para apanhar e trazer o peixe escapado, mergulhando, se for necessário, e procedendo da mesma forma se alguma rede ou cabo se solta. Ele é capaz de cobrir a nado distâncias notáveis, sendo um companheiro leal e bom guardião. Atualmente é um excelente cão esportivo e de companhia.
A pelagem pode ser crespa ou ondulada, a primeira mais espessa e menos brilhante, e a outra mais longa e suave, sem formar cachos. As cores podem ser branco, marrom e preto, com ou sem marcações. Sendo originariamente um cão de trabalho e sem sub-pêlos, os cuidados com a pelagem são mínimos.
É um cão que não necessita de muito espaço, podendo viver em apartamentos, embora seja de bom senso fazer exercícios diários. Ele prefere um espaço restrito, com companhia, a serem livres, sem alguém para estimulá- los.
Para exposições, costuma-se fazer a tosa leão, que é uma tosa muito simples podendo ser feita com tesoura, tendo pouco a ver com o requinte da tosa leão feita nos Poodles.
"Comecei a criar o Cão d’ Água Português em 94 sem grandes pretensões. Sempre gostei de cachorros e quando criança ouvia algumas histórias sobre cães na água e suas proezas contadas por meus avós, que eram portugueses.
Minha primeira ninhada foi em 96. Crio no sistema home-raised, com contato completo entre os cães e todos da família, sociabilizando-os ainda mais desde pequenos. Dificilmente há criadores da raça com cercas e canis propriamente ditos, exceto em Portugal, por serem na realidade nossos pets.
Os pontos favoráveis da raça são: a inteligência, obediência, alegria, sua paixão pelo dono e sua família, que se espelha em seus olhos serenos bem redondos, a limpeza e a manutenção da tosa, que é simples.
Por não ter subpêlo e ter uma pelagem que, como nosso cabelo, cresce indefinidamente, o Cão d’Água Português tem a vantagem de não ter queda de pêlos e deixar a casa completamente coberta, problema muito freqüente em cães de pêlo curto.
Além disso, suas habilidades diferenciais na água e sua energia em abundância proporcionam-lhe resistência à fadiga.
Espero que a raça possa ganhar o respeito, admiração e o reconhecimento que tem na Escandinávia, nos EUA. e em Portugal, de maneira que possa ser uma raça mais conhecida no Brasil, apesar de dificilmente deixar de ser relativamente raro mesmo em países onde é bastante difundida.
O Cão d’Água Português reúne características que têm tudo a ver com nosso país, havendo potencial para crescimento. Entretanto, é preciso um trabalho junto a criadores, freqüentando-se exposições para constantes avaliações para aprimoração e divulgação da raça e informando o público em geral.
Se você procura por um cão raro, elegante, diferente, que precisa de atenção, exercícios, grande estímulo mental, que seja indicado para desafios na água e contato humano, que age com extrema inteligência sem ser totalmente independente, que mostre sua opinião, cumprimente os amigos e a família com entusiasmo, então o Cão d’Água Português pode ser sua escolha mais certa. Enfim, quem tem um Cão d’Água Português descobre que o cão não é o melhor amigo do homem, mas sim, de toda família."
| RESUMO
DAS CARACTERÍSTICAS |
| Nacionalidade: |
Portugal |
| Classificação: |
Companhia |
| Porte: |
Médio |
| Altura
Máxima: |
57 cm |
| Altura
Mínima: |
43 cm |
| Peso
Máxima: |
28 Kg |
| Peso
Mínimo: |
16 Kg |
| Cor: |
Preto, marrom, branco. |
| Temperamento: |
Balanceado |
| Treinabilidade: |
Alto |
| Espaço
Necessário: |
Médio |
| Tempo
de Exercícios Diários: |
60 min. |
| Tamanho
do Pelo: |
Encaracolado ou ondulado |
| Frequencia
de Troca de Pelo: |
Não |
| Necessidade
de Tosa: |
Sim |
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